24 de abr. de 2014

O Silêncio do Valle




Alguém sabe o que é um vale?

Na definição da geografia: "Um vale é um acidente geográfico cujo tamanho pode variar de uns poucos quilômetros quadrados a centenas ou mesmo milhares de quilômetros quadrados de área. É tipicamente uma área de baixa altitude cercada por áreas mais altas, como montanhas ou colinas. Os vales são geralmente formados pela atividade fluvial, onde a ação da água corrente causa a erosão do terreno. No entanto, os vales podem ser formados por outros processos geográficos.”

E um homem do vale? Um habitante desse acidente geográfico cercado por montanhas e à beira do rio?

No vale existem Antônios, Marias, Jorges, Suzanas, Cristianos e Lucianos. Cada um tem sua escolha de vida. Cada um opta em seguir vivendo na região que nasceu e seguir o curso do rio ou transpor as montanhas e romper as represas criadas ao longo da vida. 

O que um tal de Luciano do Valle fez? Nascido em Campinas, porém com a estigma no nome optou por transpor as montanhas e romper as barreiras com seu volume de idéias e sonhos. 

Luciano era do Valle. Não importa se era do Paraíba, do São francisco, do aço, do silício ou do Anhangabaú. Seu destino era fazer a diferença. Ser apenas o locutor numero um da principal rede de TV do Brasil e inventar jargões era pouco para quem nasceu pra ser o diferencial sem ser a estrela. 

Na verdade, em 1983, a força do Valle resolveu como um rio faminto e cheio, ser o caminho e a forma de ampliar a visão dos que viviam enjaulados só na teclas do controle remoto e impostas por uma só paixão. Com a força do rio e a visão além das montanhas, nos mostrou outras formas de esporte. Assim, conhecemos: Hortências, Paulas, Renans, Xandós e Marthas. Ruys, Maureens, Jordans e Caetanos. Isso sem  se esquecer que o peso e a memória vem nas águas do rio, nos trouxe o passado, com Rivelinos, Edu’s, Perreiras e Cafuringas. Nos fez até tentar acreditar que Maguilas eram melhores que Tysons. 

O seu objetivo foi alcançado. Qual o ignorante irá contestar seus feitos? Qual letrado contestará que o que ele fez pelo esporte foi maior do que federações, COB’s  e CBX’s fizeram? Nosso homem do vale não se aproveitou de talentos prontos e com feitos para se vangloriar e sim fez o caminho para que nós os conhecêssemos. 

De forma inesperada o fim da linha para ele chegou, assim com foi com Michael Jackson, Janis Joplin e Gilles Vileuneuve. A história ficou incompleta. 

Para esse instante só nos resta lembrar alguns momentos de êxtase que ele nos porprocionou e usar suas palavras na última vitória brasileira por ele narrado na Indy 500 em 2013 como fim de texto:

“ Chora o Tony (seja ele Kanaan, Rodriguez ou Vaz) e nós Também”. 

Por:

Ávilas Rocha 







1 comentários:

Quando ele trocou uma grande emissora para assumir posição na Bandeirantes, achei que fosse "sumir", mas você tem razão. Ele foi muito maior que isso.
Achei também um absurdo deixarem partir a voz mais interessante para o concorrente, e você tem razão de novo. Ele soube se impor.