16 de set. de 2013

Trocando em miúdos




O mundo dá mesmo muitas voltas, o giro do globo terrestre e seus impactos podem ser notados ou não, por simples apego ou curiosidade. O que há um ano era essencial, hoje pode ser obsoleto. Pois é, no compasso da mudança, mesmo que tardia ela chegou a Ferrari. O tão amado e querido piloto padrão foi demitido. Aquele empregado que fez tudo pelo time, aquele que, mesmo com suas avaliações anuais abaixo das expectativas, ganhava sempre um voto de confiança. 

A vivência, o espírito de equipe, o comprometimento, o  foco no cliente e a excelência profissional citadas em um texto nosso de 2012, não foram suficientes para segurar o Massa na Ferrari. Faltou atingir dois pontos que afligem a uma boa parte dos trabalhadores e que são essenciais na avaliação do empregado: Atingir meta e a melhoria contínua.

Desde 2010 que os resultados obtidos não são muito favoráveis ao Massa em relação ao seu companheiro de equipe Fernando Alonso. Além da ultrapassagem nos boxes no GP da china e do famoso “Alonso is faster than you”, Massa leva uma lavada no aproveitamento dos pontos disputados em relação ao espanhol. Em 2010 foram 53% a 30.3%, em 2011 54% a 24,85%, em 2012 55% a 35,8% e em 2013 até agora está 56% para Alonso contra 26% do Massa. 

Os números já falam por si, Massa tem um rendimento quase 50% menor que o Alonso. Parece que 2013 foi a ultima chance que a Ferrari deu ao brasileiro para melhorar seu desempenho nas pistas e conseguir chegar mais perto do espanhol, já que andar na frente é praticamente não permitido. Mesmo assim quando você tem um piloto que sempre alcança mais da metade dos pontos disputados e um segundo que chega ao máximo a 30%, é uma diferença a ser considerada. Então meus amigos, quem não alcança as metas determinadas pela empresa, invariavelmente perde o emprego. 

O outro ponto é a chamada melhoria continua. Todo profissional sempre deve buscar se aprimorar e acompanhar as novidades, no caso dos pilotos, perceber as mudanças no carro e nos componentes que alteram o desempenho do carro a cada ano que começa, e isto parece que não é uma das qualidades do brasileiro. Desde 2011 a cada corrida frustrante, na maioria das vezes a desculpa era e é os pneus. O mesmo pneu que equipa  todos os carros do grid. Ora, a Pirelli só manda pneus ruins pro segundo carro da Ferrari? Ou no caso do Massa, é o pneu que tem que se adaptar ao piloto e não contrário. 

Com isso, acaba uma relação de 12 anos entre o Felipe e a Ferrari. Não sei como está o brasileiro que tanto ama a equipe do cavalinho rompante. Na entrevista exibida ontem no esporte espetacular, Massa não demonstrou muito mágoa ou tristeza, porém, às vezes aparentemente não se vê o que realmente esta se passando com as emoções de quem perdeu algo que era importante na sua vida. E a Ferrari, nas declarações do Felipe era a realização de um sonho e por ele a parceria jamais seria interrompida. Então como escreveu Chico Buarque na musica trocando em miúdos, Massa poderia cantar a ultima parte como suas ultimas palavras para a Ferrari:

“Eu bato o portão sem fazer alarde
 Eu levo a carteira de identidade
 Uma saideira, muita saudade
 E a leve impressão de que já vou tarde.”




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